Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

A nomeação de D. Manuel Clemente para Patriarca de Lisboa: independência e ação

O Papa Francisco nomeou D. Manuel Clemente como novo Patriarca de Lisboa. A nomeação para a capital do bispo do Porto, que já teria decidida anteriormente por Bento XVI e é confirmada pelo sucessor, foi publicada pela Nunciatura Apostólica em 18-5-2013.

É uma grande notícia para a diocese de Lisboa. Inclusivamente para toda a Igreja nacional, antes ainda de eventual sucessão na presidência da Conferência Episcopal Portuguesa, na medida em que não se trata apenas da responsabilidade pela Igreja da capital, mas também da direção de meios nacionais de proselitismo como a Rádio Renascença e Universidade Católica. O principal desafio da Igreja é o combate cultural.

D. Manuel Clemente nasceu em 1948 na cidade de Torres Vedras e fez na diocese de Lisboa todo o caminho de  licenciatura em História na Faculdade de Letras, padre, professor na Universidade Católica, vice-reitor, e depois reitor, do Seminário dos Olivais, e bispo auxiliar com a responsabilidade pastoral sobre a nossa área do Oeste, antes de ser incumbido da Diocese do Porto, em 2007, apenas com o hiato do seu doutoramento na Universidade Gregoriana, em Roma. Além disto, D. Manuel Clemente, foi, desde os 16 anos - e por isso é... - escuteiro no Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português...

Creio que D. Manuel preferiria a dispensa deste encargo, habituado que já estava à diocese do Porto, onde realizou um magnífico trabalho. Mas teve de se conformar com o chamamento a nova missão. Desempenhá-la-á certamente com a bondade natural, a argúcia do seu discernimento, o brilhantismo da sua erudição e a firmeza dos princípios nos quais não tergiversa.

D. Manuel Clemente era, há muito tempo, a escolha desejada dos presbíteros, da hierarquia da Igreja e do povo, para a diocese de Lisboa. Nesta nomeação, que, conforme o cânone, foi decidida, internamente pela Igreja - ao resguardo da influência política das maçonarias ou de outro lóbi - pesa exclusivamente o mérito.

Neste prado de trigo, cardos e joio, o angustiado rebanho acolhe D. Manuel Clemente com extraordinária esperança. A Igreja de Lisboa precisa de independência e de ação.






Sábado, 18 de Maio de 2013

O objetivo da coadoção por casais homossexuais

O Parlamento aprovou ontem, 17-5-2013, o Projeto de Lei n.º 278/XII (do PS), que «Consagra [sic!] a possibilidade de coadoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo». Uma aprovação rápida, simbolicamente no Dia Internacional Contra a Homofobia, na fast lane do politicamente correto e meio à socapa - o linque do projeto de lei só o encontrei no sítio da ILGA(deve ser esta a transparência desejada do Parlamento...). O resultado foi o seguinte:
  • Favor (99) – PS, PCP, BE e PEV, 16 deputados do PPD/PSD
  • Contra (94) – PPD/PSD, CDS-PP e 2 deputados do PS («António Braga e João Portugal»)
  • Abstenção (9) – 3 deputados do PPD/PSD, 3 deputados do PS e 3 deputados do CDS-PP

Destaque nos votos a favor dos seguintes deputados do PSD: «Teresa Leal Coelho, Luís Menezes, Francisca Almeida, Nuno Encarnação, Mónica Ferro, Cristóvão Norte, Ana Oliveira, Conceição Caldeira, Ângela Guerra, Paula Cardoso, Maria José Castelo Branco, Joana Barata Lopes, Pedro Pinto, Sérgio Azevedo, Odete Silva e Gabriel Goucha». No PSD, abstiveram-se: «Duarte Marques, João Prata e Sofia Bettencourt», do PSD. Note-se que a direção da bancada parlamentar do PSD, liderada pelo maçon Luís Montenegro, deu liberdade de voto aos deputados do seu partido. E é esta a direção do partido, cujo presidente, Pedro Passos Coelho, em 25-5-2011, na Rádio Renascença, acenou aos católicos com a «reavaliação» da lei do aborto (já determinou que fosse feita essa reavaliação?) e admitiu novo referendo sobre o assunto...

De relevo ainda para as abstenções dos deputados «João Rebelo, Teresa Caeiro e Michael Seufert» do CDS-PP. Um partido que afirma no seu programa: «O Partido Popular é democrata-cristão»... O CDS-PP de Paulo Portas é «politicamente incompatível com a TSU dos pensionistas», mas politicamente compatível com a coadoção por casais homossexuais?!... Parece ser mais um caso da política ziguezagueante de oposição de si próprio que o CDS-PP de Portas vem praticando, com aparente sucesso demagógico.

E falta ainda a lista dos deputados do PSD e do CDS-PP que se abstiveram faltando à sessão. Se houver, quem saiba, diga, para que sejam conhecidos do povo.

Neste mesmo dia, foram rejeitados projetos de lei do Bloco de Esquerda e d' Os Verdes (CDU) que pretendiam a adoção por casais homossexuais.

Bem pode o Conselho Superior de Magistratura prevenir que este diploma contraria leis em vigor!... Nada disso interessa porque aquilo que importa ao radicalismo liberal é precisamente a mudança das outras leis...

Sobre esta proposta, o padre Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, disse em 17-5-5-2013:
«a adoção de uma criança não é um direito de qualquer pessoa adulta, solteira ou casada, heterossexual ou homossexual. Numa adoção trata‑se de encontrar a família, nas melhores condições possíveis, para dar uns pais substitutivos dos pais biológicos que perderam ou que são incapazes de exercer a paternidade e a maternidade. Com todo o respeito pelas pessoas de qualquer identidade sexual, é patente que toda a criança, na sua evolução para o estado adulto, necessita da complementaridade da masculinidade e feminilidade que lhe dão, em primeiríssimo lugar, o pai e a mãe biológicos ou a família que os substitui.»
Na verdade, os direitos das crianças contam nada neste debate póstumo - póstumo porque todas as leis politicamente corretas não podem, na prática, em Portugal, ser politicamente revogadas... O bem-estar da  criança, que, pela circunstância, tem tendência a ser mais débil, carente e com menos auto-estima, não  vale perante o direito absoluto dos adultos à parentalidade, mesmo quando a sua condição ou orientação os enoja de os conceber humanamente. Esse mal estar íntimo da criança, sofrida pela rejeição dos seus pais biológicos, é agravado pela discriminação que a própria criança, adolescente e jovem, sente face aos colegas na escola e nas ruas. Essa discriminação da criança - sob a invocação falsa da sua proteção especial quando o que se quer proteger são os graúdos - é um sacrifício politicamente correto decidido pela esquerda romântica e pela direita egoísta, para orgulho dos adultos com a igualdade de direitos... deles. O que expressamente se afirma no preâmbulo da nova lei - consentida pelo PSD e CDS! - é o combate à família:
«De facto, estamos a pensar no que já existe e o que já existe não é a família, mas famílias: aquela expressão não passa de um pretenso ideal-tipo que nada tem de ideal».

A perseguição e o anátema da polícia da linguagem da ditadura do politicamente correto impõe à sociedade um modelo de vida que esta rejeita.

A maior instabilidade das relações homossexuais - veja-se, por exemplo, Charles Q. Strohm, The Stability of Same-Sex Cohabitation, Different-Sex Cohabitation, and Marriage, 2012  (ver, nomeadamente, além das justificações dessa instabilidade, o quadro da página 33) - também deveria fazer acautelar os legisladores, na mudança do regime atual da adoção no nosso País, para o consentir a pessoas em casamento do mesmo sexo ou em união de facto homossexual. Mesmo que a lei imponha essa adoção como plena e não revogável, o vínculo não é da mesma natureza.

O número de crianças em Portugal que não têm candidatos à adoção, que era 291 (no ano de 2012?), segundo um «relatório da Segurança Social», referido pela TSF em 9-4-2013, não justifica o recurso ao experimentalismo social. Não são indicados na notícia, os motivos porque essas crianças não têm candidatos à adoção, nem quantos deles são portadores de deficiência, ou as suas idades. Não é possível determinar que esta nova lei da coadoção por casais homossexuais agora aprovada pelo Parlamento, se entrar em vigor, vá diminuir significativamente o número destas crianças institucionalizadas sem candidatos. A reivindicação radical, transformada em lei vai é permitir, principalmente, não é tanto, a adoção pelo unido de facto homossexual que individualmente adotou sozinho uma criança, mas a legalização conjugal de crianças da fecundação artificial de mães lésbicas e a legalização de adoções internacionais por casais homossexuais portugueses.

Conjugada com a adoção individual, que já era permitida, a adoção internacional individual de crianças em países pobres e a fecundação artificial, acredito que esta lei institui na realidade em Portugal a adoção de crianças por casais homossexuais. O povo pode ser contra, mas quem decide é a suposta elite que os deveria representar.


Atualização: este poste foi atualizado às 19:17 de 18-5-2013.

Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Os ovos das omoletas

O procurador da República Luís Eloy Pereira Azevedo que, em 8-5-2013, no Tribunal de Oeiras, pediu a absolvição de Rui Pedro Soares, João Carlos Silva e Américo Thomati no chamado processo Taguspark (que o José comentaé casado com a inesquecível juíza Ana de Barros Queiroz Teixeira e Silva, que decidiu não pronunciar Paulo Pedroso por 23 crimes de abuso sexual de crianças sobre três menores no processo Casa Pia, em 31-5-2004.

Rui Pedro Soares, João Carlos Silva e Américo Thomati tinham sido acusados pelo Ministério Público, em abril de 2010,  e pronunciados, em 11-2-2011, por um crime de corrupção para ato ilícito. Conta o Sol, de 10-5-2013:

«Penedos salva arguidos do Taguspark
Joana Ferreira da Costa 
Ministério Público pede absolvição dos três arguidos por falta de provas. E aponta o dedo ao advogado socialista que desmentiu as escutas. Defesa de Rui Pedro Soares diz que foi tudo uma «conspiração» para derrubar o Governo.
«Em julgamento não se podem fazer omoletas sem ovos». O magistrado do Ministério Público (MP) que esta quarta-feira pediu a absolvição dos três arguidos do processo Taguspark justificou, assim, nas suas alegações finais, que «pouco ficou provado» no julgamento que decorreu no Tribunal de Oeiras.
O procurador da República Luís Eloy frisou que a principal testemunha da acusação, o advogado socialista Paulo Penedos, recuou em relação ao que dissera em fase de inquérito: «Paulo Penedos veio desdizer - ou, numa versão mais benévola, contextualizar - as escutas».
«Não foi um testemunho de mão cheia, foi mais um testemunho de mão vazia», acrescentou, defendendo que as escutas ficaram «descamadas» com as declarações de Penedos, ex-assessor de Rui Pedro Soares na PT.
Soares, que representava a PT na administração do Taguspark, é acusado de, juntamente com Américo Thomati e João Carlos Silva, administradores do parque tecnológico, ter garantido o apoio de Luís Figo ao PS nas eleições legislativas de 2009, através de um contrato de 250 mil euros por ano.
Penedos disse em tribunal que, afinal. Rui Pedro Soares lhe garantira que o apoio do jogador nada teve que ver com o contrato feito, ao contrário do que defendera ao telefone. E explicou que, quando disse nessa escuta que o contrato de Figo era «pornográfico», referia-se ao seu valor «astronómico» e não a uma eventual contrapartida do apoio político.
Por outro lado, o procurador Luís Eloy considerou que ficou provado em julgamento que o contrato de Figo, apesar de envolver valores muito altos, «não está fora» daquilo que são os preços praticados com grandes jogadores. Mais do que isso, referiu que não há provas documentais de que os arguidos tenham montado uma estratégia para «comprar» o jogador - o que seria a única forma de provar o crime de corrupção activa para acto lícito, pelo qual estão acusados. «Rui Pedro Soares não conseguia actuar sozinho, não tinha competências para isso», admite. «As provas da interacção dos três arguidos são muito ténues».

Figo devia ter sido acusado
Já o testemunho do treinador José Mourinho - que há uma semana, ouvido por videoconferência, negou ter conhecimento de qualquer contrato com o Taguspark, como alegava a defesa, explicando que tinha sido convidado por Soares, mas para assinar um contrato com a PT - foi relevante para o MP. «Mas pouco fica do ponto de vista da prova para condenar», disse o procurador.
Luís Eloy frisou que, para haver «coerência» na acusação, Figo também deveria ter sido arguido, em vez de apenas testemunha. Na acusação, o DIAP de Lisboa justificou a opção com o desconhecimento e a falta de consciência de ilicitude do internacional português. «Em muitos anos de carreira, muito raramente, para não dizer nunca, vi a figura da falta de consciência da ilicitude» ser invocada para não se acusar, criticou o procurador.
Já o advogado de Rui Pedro Soares, o seu irmão Carlos Soares, considerou que este processo foi usado como arma política «para derrubar o Governo».
Carlos Soares acusou a procuradora do MP, Teresa Almeida, de ter montado uma acusação que é «uma peça de luta partidária», até porque a falta de provas fazem da acusação «um atestado de rectidão ao arguido». E sublinhou que, «num tipo de crime de acusação difícil, o inquérito foi feito em três meses e um dia», porque «três dias úteis depois começaram as inquirições ao negócio PT/TVI», no Parlamento. A imprensa, acrescentou, também ajudou a transformar o caso «num folhetim para derrubar» Sócrates.».


Limitação de responsabilidade (disclaimer): Paulo José Fernandes Pedroso foi acusado, em 29-12-2003, pelo Ministério Público, em 8 crimes de abuso sexual de crianças (p. e p. pelo artº 172 n.º 1 do Código Penal em vigor à data da instrução - D.L. n.º 48/95, de 15 de março), 3 crimes de abuso sexual de crianças (p. e p. pelo art.º 172 n.º 3 b) do Código Penal) e 12 crimes de abuso sexual de crianças (p. e p. pelo art.º 172 n.ºs 1 e 2 do C.P.), sobre três menores no processo Casa Pia. A decisão de não-pronúncia de Paulo Pedroso da juíza de instrução Ana de Barros Queiroz Teixeira e Silva, de 31-5-2004, foi confirmada pelo Tribunal da Relação de Lisboa, em 10-11-2005.
Rui Pedro Soares, João Carlos Silva e Américo Thomati, arguidos do chamado processo Taguspark, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.
Luís Eloy Pereira Azevedo, Ana de Barros Queiroz Teixeira e Silva e demais entidades referidas nas notícias dos média que comento não são arguidos ou suspeitos do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade.

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Os costados do Costa

As notícias do Sol/Lusa, de 5-5-2013, e do Público/Lusa, de 9-5-2013, sobre uma denúncia anónima relativa a um alegado «favorecimento» da Câmara Municipal de Lisboa «ao Banco Espírito Santo (BES) em detrimento do Santander Totta», numa cessão de créditos no valor de 5,75 milhões de euros, passaram sem grande indignação. Diz o Público que a denúncia alega:
«a autarquia, através da vereadora das Finanças, Maria João Mendes, ter exigido, segundo a denúncia, o visto prévio do Tribunal de Contas apenas no caso de a EPUL assinar o contrato com o Santander. Se o contrato fosse firmado com o BES, a Câmara prescindia desse visto. Ora, segundo uma fonte do Tribunal de Contas ouvida pela Lusa, "as cessões de créditos não estão sujeitas a visto".»
De relevo, o facto de a CM Lisboa ter reagido à notícia pelo vice-presidente, arq.º Manuel Salgado, que detém os pelouros do Urbanismo e Planeamento Estratégico e, dizem as boas línguas, gere a Câmara no dia-a-dia. António Costa escondeu-se...

Um dos factos mais notáveis da promiscuidade do PS, Bloco de Esquerda e PC, com o poder sistémico é o abafamento da informação, útil para os votantes, e que revelei aqui em 23-3-2012, de que o vice-presidente da CM Lisboa, que já tinha trabalhado para o Grupo Espírito Santo (possivelmente, o grupo financeiro mais forte na promoção imobiliária de Lisboa, através da Espart),
«Manuel  Manuel Sande e Castro Salgado é primo direito de Ricardo do Espírito Santo Salgado, que é presidente da comissão executiva do Banco Espírito Santo. Nascidos ambos em 1944, tinham o mesmo avô paterno: António Maria Pinto Cardoso Salgado
Então, o PS costista tão socialista (que chegou a assumir internamente da decisão de avançar, em janeiro de 2013, com uma candidatura a secretário-geral do partido, ficando a Câmara naturalmente para o seu vice...) e o Bloco de Louçã/Catarina/Semedo tão contra «os donos de Portugal» são afinal aliados da família Espírito Santo?... E o PC, sempre tão contra as grandes famílias capitalistas, omitiu esta informação do  povo, que decerto possuía, e até andou a namorar com António Costa sobre uma eventual grande frente de esquerda na capital, ensaio do que Costa e a fação ferrosa pretendem fazer no País?...


Atualização: este poste foi emendado às 13:39 de 17-5-2013 na fonte das notícias sobre a denúncia.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades referidas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas, ou arguidas, do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade.

Sábado, 11 de Maio de 2013

Mais vale Crato que nunca

Finalmente, aperta-se a malha ao Grupo GPS - bloco-centralista apesar do nome exclusivo - para cujos negócios com os governos socratinos tínhamos alertado no tempo proibido. Titula o i, de 9-5-2013: «Ministério da Educação chumbou os colégios GPS».

É sempre tempo de repor a ordem no setor. Não está em causa o ensino privado, muito menos o ensino cooperativo: o que devem ser postos em causa são os milionários contratos de associação com um grupo privado endogâmico e a absorção do ensino cooperativo por este mesmo grupo que alcança os contratos que estes não conseguem.

Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Estado socialista de miséria



Problema não é a tentativa da discreta consultora do ex-mes/socialista-radical Augusto Mateus (agora, com a necessária bênção do Governo Passos Coelho, pré-reformado milionário no Conselho de Supervisão da EDP), célebre pela recomendação científica de tornar o aeroporto de Beja uma plataforma logística para a exportação de peixe, ganhar 150 mil euros com a Herdade da Miséria, do BPN/SLN, que o CM, de 6-5-2013, refere. Problema é o fluxo de milhões, durante cerca de duas décadas, que a teia de sete magníficas consultoras mésico/socialista-radical - Augusto Mateus e Associados, Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE), Ilha de Ideias, Oliveira das Neves, Centro de Estudos Sociais (CES) da Faculdade de Economia de Coimbra, Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do ISCTE e Quaternaire Portugal - abichou do ruinoso Estado socialista de Miséria. Essa teia de consultoras, que perdura agarrada ao Estado com a cumplicidade do Governo Passos Coelho, é a trave-mestra de poder socialista radical, conforme procurei explicar aqui neste blogue, em 12-4-2012:
«organizações, que têm funcionado como importantes centros de poder político, de formação e treino, de recrutamento e de infiltração e partilha do Estado e de financiamento político (nomeadamente, de sustento e rendimento de quadros socialistas que elas empregam) - e de bases e instâncias de recuo, quando a alternância sistémica temporariamente o simula. Estas organizações são também laboratórios de aliança com outras forças partidárias - Bloco de Esquerda, fação direita do PC e setores sistémicos do PSD.»
* Imagem picada daqui.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades referidas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas ou arguidas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade nestes casos.

Terça-feira, 7 de Maio de 2013

É a geopolítica, estúpidos!



O novo pacote de austeridade iníqua, anunciado pelo Governo em 3-5-2013, constitui uma prova de reincidência no erro. Erro de uma política iníqua, de austeridade desigual, que poupa uns - os políticos e os abusadores do Estado social(ista) - e castiga outros (pensionistas, funcionários públicos, trabalhadores e empresas do setor privado, nomeadamente pessoal a recibos verdes). De forma sintética, castiga quem trabalha ou já trabalhou e protege quem nada faz ou fez.

Esta política desastrosa de austeridade iníqua, que sucedeu a política ruinosa de obras socraónicas, tem razões externas e razões internas, por muito que se queiram atirar as culpas todas para os credores (União Europeia e FMI).

A razão interna é a corrupção de Estado - troca de favores entre o poder político corrupto e o poder financeiro-económico e com os subsidiodependentes abusadores (os abusadores). Foi essa corrupção que atirou o País para a ruína financeira do Estado e das famílias; e é essa corrupção que o mantém na ruína.

A razão externa é o poder geopolítico, como classificou o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, em 2-5-2013. Passada a cura das feridas de II Grande Guerra e de reconstrução das relações europeias, o poder alemão voltou à sua política egoísta e, gradualmente, de Estado diretor da Europa. A tentação desse poder germânico, de matriz e evolução meta-prussiana, não é apenas garantir o bem-estar dos empregados e pensionistas alemães e das suas famílias, mas também impor o seu domínio aos outros povos da Europa, voltando à doutrina do lebensraum. Desta vez, o blitz é produzido com a arma monetária (e controlo aduaneiro desigual), aparentemente mais suave, mas também mortífera, de doentes, pobres e arruinados. O modelo que Wolfgang Schäuble insiste que seja praticado em Portugal e noutros países do sul, apesar da ruína económica, não é de co-prosperidade, não só porque o paradigma não alcança os resultados pretendidos noutros países, mas porque, no limite humano, nunca os pretendeu atingir. Por isso, daqui, do Portugal profundo, importa recomendar que, mais do que procurar as razões na ciência económica as razões desse modelo, mais vale que se releia a geopolítica do general Karl Hausofer...

No Portugal decadente, ainda pré pós-pós-modernista, do início do terceiro milénio, o ministro das Finanças Vítor Gaspar é apenas o feitor da tutela germânica que nos esgana, e Passos Coelho o seu porta-voz acrítico. Sem conhecimento da história - muito menos de geopolítica (de que Paulo Portas fica aquém) -, com resultados financeiros e económicos contraproducentes ao modelo milagroso de austeridade desigual e corrupta, insiste-se agora na política comprovadamente errada, como a marcha de alguém que caminha desesperado (emissão de dívida a dez anos por 5,5%?!...), mas sem conseguir mudar de rumo, porque não sabe outro, nem tem caráter para tanto.

Domingo, 5 de Maio de 2013

Os novos coronéis da censura do poder

A Petição pela efetiva liberdade de imprensa na TVI já vai nas 1.436 assinaturas. Se concordar, assine! O abafamento do jornalismo de investigação nos média portugueses tem, neste caso exemplar, de ser denunciado e combatido. Sem liberdade de informação efetiva nos média não há democracia plena.

Recomendo a leitura da crónica de Eduardo Cintra Torres, no CM, de hoje, 5-4-2013 - «Ana Leal suspensa na TVI: ataque ao jornalismo» -, que repudia a perseguição pedagógica do jornalismo de investigação na TVI.

E, já agora, sugiro a leitura de dois postes do José, à Porta da Loja: «Como se chega a diretor de informação de um "país positivo"», de 3-5-2013, sobre a ascensão socratina de Paulo Ferreira ao estrelato da RTP, após episódio de filtragem de mail interno de um jornalista do Público para um seu colega, datado de cerca de dezassete meses antes, numa operação negra lançada pelos serviços socratinos, em 18-9-2009, a dez dias das eleições legislativas de 2009, no caso do que chamei «Operação Encomenda», e sobre a correspondente contratação pelo... diretor de Informação Paulo Ferreira do ex-primeiro-ministro José Sócrates para comentador residente da RTP (onde semanalmente expõe a sua ignorância técnica e cultural num programa panfletário repetitivo); e um outro poste, «A liberdade de imprensa atual», de 4-5-2013, que permite enquadrar este caso Ana Leal de perseguição interna da liberdade de imprensa e do jornalismo de investigação.

Estes episódios inserem-se numa mudança o controlo da liberdade de informação e de opinião nos média tradicionais, nas últimas décadas, em Portugal e no paíeses estrangeiros: o abafamento das notícias, das reportagens e das crónicas, prejudiciais ao poder, e a promoção de peças hagiográficas desse poder faz-se internamente, nas redações, através de editores de confiança, e com a cumplicidade das administrações dos média carentes de dinheiro e de crédito que o poder lhes fornece, direta e indiretamente, em troca desse controlo. Numa época de queda das receitas publicitárias e das vendas dos média tradicionais e de desemprego e de redução de salários dos seus empregados, uma grande parte dos jornalistas conforma-se, ainda que contrariados, com essa tutela política dos controleiros do poder nas redações (os josés-albertos-carvalhos-judites-de-sousa-antónios-josés-teixeiras-paulos-ferreiras...), em troca da manutenção do trabalho e da remuneração.

Em rigor, os coronéis de outro tempo funcionam hoje dentro das redações e riscam com lápis azul virtual o que a autocensura dos próprios jornalistas temerosos, e as tesouras do poder corrupto, não cortam. O quarto poder enfileirou no primeiro. Além dos desabafos dos mails e redes sociais, uma espécie das antigas conversas de café,  resta-nos o escrutínio público dos blogues.


Pós-Texto: GasparSchäuble, Blair e o novo pacote de austeridade desigual anunciado pelo porta-voz do Governo, Pedro Passos Coelho, em 3-5-2013, ficam para tratar depois, com mais tempo e distância.

Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

O socialismo real pós-terceira via

após ter sofrido quatro fraturas no nariz, na  Assembleia Nacional venezuelana, em 30-4-2013

Se na Europa, e nos EUA, o marxismo travestido e rejuvenescido alastra nas academias e nas redações dos média (ainda com o leninismo escondido...), a sua experiência real desenrola-se dramaticamente na Venezuela.

Ao mesmo tempo que o regime chavista procura ornar-se com uma imagem fresca, através da nomeação por Nicolás Maduro da espadachina Alejandra Benítez como ministra do Desporto, dificulta a investigação da alegada chapelada na eleição de 14-4-2013, à qual não foram permitidos observadores internacionais (apenas «acompanhantes», figuras convidadas), e que foi impugnada pelo candidato oposicionista Henrique Capriles (o qual obteve 49,12% de votos), coarcta na assembleia nacional o direito à palavra dos oposicionistas, que são - aí mesmo! -, homens e mulheres, vítimas de murros e pontapés, que uma ministra chavista, Iris Varela, atesta serem «bem merecidos»...

Hugo Chávez faleceu, mas o seu duro regime dura e o seu legado é louvado pela esquerda politicamente correcta, de Michael Moore, Sean Penn e Oliver Stone. Até Lula da Silva, o novo cronista mensal do NYTimes, um presidente avesso à leitura («ler é pior que fazer exercício em esteira»), o anti-Brizola do general Golbery do Couto e Silva, o Ali Babá do Mensalão (cujos tentáculos em Portugal ficaram por investigar aqui e punir!) e pai do Lulinha...

O socialismo real pós-terceira via é ditatorial, violento, corrupto e ruinoso
.

Terça-feira, 30 de Abril de 2013

A participação de nulidade da licenciatura de José Sócrates ao Tribunal Administrativo



O Prof. Rui Verde, ex-vice-reitor da Universidade Independente, entregou na semana passada ao Ministério Público do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa uma participação para a declaração de nulidade da licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente (UnI) do ex-primeiro-ministro José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa
. Publico abaixo essa participação, pelo interesse patriótico e público que reveste. E felicito o seu autor pela coragem, atenta a sua situação, e pela síntese e pela clareza da participação.

Entretanto, foi conhecida da imprensa, ontem, essa participação do Prof. Rui Verde ao Ministério Público do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa. Vejam-se as notícias do PúblicoSol e TVI24. O Correio da Manhã, de hoje, 30-4-2013, foi mais longe e publica, na página 32 e na primeira, com base na informação do Prof. Rui Verde, que, alegadamente,  a prova oral da cadeira de Inglês Técnico terá sido realizada... ao almoço... no famoso restaurante Pap'Açorda, no Bairro Alto, em Lisboa pelo falso reitor, e que não era o docente da cadeira, Luís Arouca, a quem Sócrates teria entregue um texto sobre ambiente (não tendo havido teste escrito).


Seria muito interessante que algum empregado do restaurante nos contasse essa açorda do diálogo em inglês, o qual, atendendo a outras prestações posteriores de Sócrates, deve ter sido lendário.

O Prof. Rui Verde assenta a sua participação ao Ministério Público do Tribunal Administrativo para a declaração da nulidade da licenciatura de José Sócrates em três razões:
  1. A concessão de equivalências a José Sócrates por pessoas (o seu amigo Prof. António José Morais e o falso reitor Luís Arouca) que não tinham competência legal para o fazer. Acrescento, além disso, que tal redundou na atribuição, conforme demonstro no meu livro «O Dossiê Sócrates» (p. 198), pelo Prof. António José Morais, que já tinha sido seu professor no ISEL e que se mudou para a Independente em abril de 1995, ao seu amigo dos tempos da Cova da Beira, José Sócrates, de «nove cadeiras (seis anuais e três semestrais)» a mais do que deveria, atendendo às cadeiras que este trazia do ISEC e do ISEL e ao plano de estudos da licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente. Note-se ainda que a situação de Sócrates é ainda mais grave do que a de Miguel Relvas, pois não existe sequer suporte legal para estas equivalências manhosas (o regime de creditação para experiência profissional, decorrente do chamado Processo de Bolonha, só foi criado em 2006, pelo Decreto-Lei n.º 64/2006 de 21 de março).
  2. Avaliação na disciplina de Inglês Técnico, através de um texto sobre ambiente e de uma oral realizada alegadamente no restaurante Papa-Açorda do Bairro Alto (Lisboa), sem teste escrito, sem respeito pela norma de avaliação dessa disciplina, por um professor, o falso reitor Luís Arouca (o reitor era efetivamente, nessa altura, o Prof. Ernesto Costa), que não era o docente da cadeira (era o Prof. Eurico Calado). Estas circunstâncias são ainda mais gravosas do que as de Miguel Relvas, cuja falta de teste escrito na cadeira de História do Pensamento Contemporâneo é o principal motivo de pedido de nulidade pelo Ministério da Educação e Ciência da sua licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Lusófona, assente no relatório da Inspeção-Geral de Educação e Ciência.
  3. Não conclusão da cadeira de Projeto e Dissertação. Ao contrário da regra interna da UnI de depósito na Biblioteca não se encontrou o exemplar ou cópia do tradicional projeto que conclui os estudos de uma licenciatura em engenharia, numa cadeira que era ministrada pelo seu amigo dos tempos da Cova da Beira e seu docente também no ISEL, Prof. António José Morais. Portugal inteiro aguarda com tremenda expectativa, depois da reportagem imorredoura de José António Cerejo, em 31-1-2008, sobre os projetos arquitectónicos na Cova da Beira, que Sócrates assumiu, a evidência física, em papel da época, amarelecido pelo tempo, certamente repleto de impressões digitais datadas de 17 anos antes, do então secretário de Estado Adjunto do Ambiente, de um alegado projeto de «construção de uma estrutura especial de um edifício anti-sísmico» (sic), que o seu alegado colega Carlos Fernão Gomes Pereira referiu ao Ministério Público, conforme despacho de arquivamento (p. 28) do inquérito-crime sobre a alegada utilização de documento autêntico falso. Sócrates, que apresentou os recibos das propinas Universidade Independente na RTP-1 em 2007 (!...), com certeza que há-de ter guardado o seu esforçado projeto de licenciatura, como fazem todos os estudantes de engenharia, com esse trabalhoso encargo, principalmente, alguém que conseguiu realizá-lo ao mesmo tempo que era secretário de Estado Adjunto do Ambiente. Recordo o que escrevi em 5 de março de 2012, neste blogue, sobre o novo fluxo de informações proporcionado pelo Correio da Manhã (jornalista Sónia Trigueirão) de 29 de fevereiro a 3 de março de 2013, com transcrição de conversas de Sócrates com protagonistas do caso.
    «No despacho de arquivamento do caso da licenciatura, datado de 31-7-2007, p. 15, as Dras. Cândida Almeida e Carla Dias, referem o certificado de habilitações como licenciado de Carlos Pereira, de 30-7-1996, mas que a consulta ao sistema informático da UnI, data a licenciatura destes dois colegas, de 31-12-1996. Concluem que Carlos Pereira e Cármen Antunes se licenciaram em 1996, tal como Sócrates (p. 16 de despacho). Ainda que, nessa consulta de Maio de 2007 ao sistema informático da Uni (Siscolar), «a aluna Maria Cármen Antunes em Maio de 2007 ainda não teria concluído a sua licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente». No despacho as procuradoras, p. 28, relatam que Carlos Pereira afirma ter realizado, com Cármen Antunes e Sócrates, um trabalho final de projeto e dissertação, «a construção de uma estrutura especial de um edifício anti-sísmico»; mas Cármen Antunes, também com péssima memória de um trabalho necessariamente difícil, longo e custoso, não se recorda sequer qual era a cadeira, quanto mais o projeto; e Sócrates nem se lembrava de ter feito um projeto final, muito menos o misterioso trabalho que não se achava, como os demais, na biblioteca da instituição e jamais foi encontrado (nem apresentado no inquérito da licenciatura pelas testemunhas Carlos Pereira ou Cármen Antunes).
    Carlos Fernão Gomes Pereira, diretor municipal de Segurança e Tráfego na Câmara Municipal de Lisboa (e representante da CMLisboa no Conselho Geral da EMEL) foi candidato, como tesoureiro do Conselho Diretivo, à Secção Regional do Sul da Ordem dos Engenheiros... Técnicos (OET), em Outubro de 2011; e Maria Cármen Craveiro Sobral Antunes, agora «Chefe de Divisão de Gestão de Mobilidade» na Câmara Municipal de Lisboa,  também está inscrita na Ordem dos Engenheiros... Técnicos. A Universidade Independente não obteve acreditação do cuso para o reconhecimento na Ordem para os seus diplomados: será estes dois colegas não se candidataram á Ordem, não fizeram o respetivo estágio e avaliação, para serem admitidos na Ordem dos Engenheiros e tiveram de se ficar pela dos Engenheiros... Técnicos?»
Note-se que além destas eventuais ilegalidades e irregularidades referidas na participação do ex-vice-reitor da UnI, Prof. Rui Verde, existem ainda abundantes factos não conformes à lei e aos regulamentos da UnI, no despacho de arquivamento do inquérito-crime NUIPC25/07.5.TE.LSB do DCIAP, da autoria da procuradora-geral adjunta Dra. Maria Cândida Almeida e da procuradora-adjunta Dra. Carla Dias, datado de 31-7-2007, sobre a utilização de documento autêntico falso. Esse despacho de arquivamento da queixa relativa à utilização de documento autêntico falso deve ser junto a este inquérito sobre a nulidade da licenciatura de José Sócrates na UnI em Engenharia Civil.

Recordo, em correção da notícia do Público, e do que o próprio ex-primeiro-ministros defendeu na RTP-1, em 7 de abril de 2013, no seu programa «A opinião de José Sócrates», que aquilo que foi investigado com base em factos que resultaram numa queixa-crime apresentada em 13 de março de 2007, pelo advogado Dr. José Maria Martins, sobre eventual utilização de documento autêntico falso, no respetivo Inquérito NUIPC 25/07.5.TE.LSB do DCIAP, pela procuradora-geral adjunta Dra. Maria Cândida Almeida e pela procuradora-adjunta Dra. Carla Dias, foi o uso de documento autêntico falso e falsificação de documento. No despacho de arquivamento, as senhoras procuradoras, assumiram que o famoso certificado enviado por Sócrates para a Câmara Municipal da Covilhã, para a sua reclassificação profissional, datado de 1996, com timbre com código postal de sete dígitos e indicativo «21» - só criados anos depois... -, se tratava de uma segunda via, ainda que o documento não tivesse tal menção. Foi despachado em 31-7-2007 o arquivamento do inquérito, sem que o imputado José Sócrates, na altura primeiro-ministro, tivesse sido sequer constituído arguido ou tivesse pelo menos sido ouvido! Portanto, não era a legalidade e a regularidade da licenciatura de José Sócrates o objeto do inquérito, conforme escreveu o jornalista Samuel Silva, no Público, de 29-4-2013: não foi esse o processo arquivado, mas sobre outro assunto (a utilização de documento autêntico falso), ainda que a licenciatura fosse colateral a essa queixa.

Mais ainda: onde os defensores do ex-primeiro-ministro interpretaram, no referido despacho de arquivamento da queixa-crime sobre utilização de documento autêntico falso, proferido pelas procuradoras Dra. Cândida Almeida e Dra. Carla Dias, de 31-7-2007, a validação da licenciatura deste (o que o Ministério Público no DCIAP não tinha competência para fazer), pode ler-se, ao contrário, uma série longa de ilegalidades e irregularidades verificadas na atribuição dessa mesma licenciatura a José Sócrates pela UnI. Factos, factos, factos! E não desculpas, desculpas, desculpas!... Porque as desculpas, de que era-assim, que os-outros-também, que a Universidade Independente era competente para a facilitação que fez ao ex-primeiro-ministro, não interessa para nada em termos de contradição objetiva da lei. E, mesmo assim, as procuradoras escreveram na página 33 do despacho de arquivamento, uma frase que tem sido sistematicamente truncada em defesa do ex-primeiro-ministro:
«conclui-se que não houve qualquer tratamento de favor do aluno José Sócrates, em detrimento dos restantes candidatos à licenciatura, em igualdade de circunstâncias académicas»

Isto é, não teve tratamento de favor... em detrimento dos outros, o que pode ser interpretado como:  o tratamento de favor não foi em prejuízo dos outros que estavam nas mesmas circunstâncias; ou não teve maior tratamento de favor do que outros... Em qualquer caso - e mesmo que se discorde da desculpabilização do aluno Sócrates como absurda vítima da Universidade (!...), as letras dessa frase não permitem concluir que Sócrates não teve tratamento de favor. Muito menos em relação aos demais alunos que nesses anos, naquela e noutras escolas superiores realizaram as suas licenciaturas, frequentando as aulas, estudando, fazendo testes e apresentando trabalhos, sem qualquer abébia.

E, como se passa no caso da licenciatura de Miguel Relvas, é o Tribunal Administrativo quem tem a competência para analisar a nulidade da licenciatura de José Sócrates. Portanto, é o tribunal administro, fornecido com os factos já apurados, nomeadamente no referido inquérito-crime sobre a utilização de documento autêntico falso e noutros processos relativos à Universidade Independente, no livro do Prof. Rui Verde («O Processo 95385», de 2011) e em factos entretanto conhecidos (veja-se entre outros o meu poste de 12-4-2013), que há-de agora, analisar, tal como a nulidade da licenciatura de Miguel Relvas, a nulidade da licenciatura de José Sócrates. E se concluir, após análise exaustiva dos documentos e dos factos, inquirição de testemunhas e apuramento de informações, que a licenciatura de Sócrates é válida, que a inscrição, a admissão e a matrícula foram regulares, que não precisa de apresentar Projeto, não precisa de fazer mais seis cadeiras semestrais e três anuais para que aquela sua alegada licenciatura da UnI seja válida, que as cadeiras ministradas alegadamente por António José Morais foram regulares, e que não precisa de realizar Inglês Técnico, então importa aceitar o veredicto judicial. Se.

Todavia, se o Governo de Portugal, durante o consulado do ex-primeiro-ministro José Sócrates, e já no consulado do primeiro-ministro Passos Coelho, se demite de remeter ao tribunal administrativo os autos com eventuais irregularidades e ilegalidades nessa licenciatura - mas o faz (e muito bem) relativamente à licenciatura do ministro Miguel Relvas (que estava ainda em funções) - é direito e dever dos cidadãos cuidarem, eles próprios, da igualdade de tratamento face à lei dos máximos dirigentes do Estado e, através do escrutínio legítimo dos políticos, da idoneidade do próprio Estado.

É a seguinte a participação ao Ministério Público do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, feita pelo Prof. Rui Verde com vista à declaração de nulidade da licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, que terá sido entregue na semana passada, a que tive acesso e publico, por interesse público e patriótico (prestígio e defesa do Estado):

«Exmo. Senhor Procurador da República
                        Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa
                        Avenida D. João II, n.º1.08.01, Edif.G-6.º
                        1900-097 Lisboa

Assunto: Participação com vista à propositura de acção pública para declaração de nulidade da licenciatura em Engenharia Civil de José Sócrates de Carvalho Pinto de Sousa na Universidade Independente

Rui Alexandre de Almeida Dias dos Santos Verde, professor universitário e antigo vice-reitor da Universidade Independente, com domicílio na [...], portador do cartão de cidadão [...] 5 ZZ8 válido até [...], vem apresentar a seguinte participação com vista à eventual instauração de uma acção pública para declaração de nulidade: 

I-Razão justificativa da participação ao Ministério Público junto do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa.
A igualdade, a par com a liberdade e a democracia, são os valores fundamentais e fundamentantes da ordem jurídica portuguesa, encontrando o mais alto assento na Constituição da República Portuguesa. Tal, ainda agora foi confirmado pelo recente acórdão do Tribunal Constitucional n.º 187/2013.Ora, lendo a fundamentação do Relatório de 4 de Março de 2013 assinado pela Inspectora da Inspecção Geral de Educação e Ciência Maria Rosa Saraiva, designadamente o conteúdo de folhas 6 a 10,ponto 10 e seguintes, relativo à frequência e avaliação de Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas na Universidade Lusófona, rapidamente se vê que a factualidade descrita é demasiado similar com a ocorrida com José Sócrates de Carvalho Pinto de Sousa na Universidade Independente, factualidade que é do conhecimento pessoal do aqui participante. Também o enquadramento jurídico-administrativo da Universidade Lusófona é idêntico ao da Universidade Independente (cf. Decreto-Lei 16/94 de 22 de Janeiro e Decreto-Lei 310/94 de 21 de Dezembro).Nestes termos, e considerando não só o artigo 13º da Constituição da República Portuguesa (CRP), mas também os artigos 73º e seguintes da mesma CRP.E os artigos 51º e 52º do Estatuto dos Tribunais Administrativos e Fiscais (ETAF),além do artigo 3º n.º1 a) e e) do Estatuto do Ministério Público (EMP) realiza-se a presente participação ao Ministério Público junto do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa com vista à declaração de nulidade por incompetência e violação da lei da licenciatura em Engenharia Civil concedida a José Sócrates de Carvalho Pinto de Sousa pela Universidade Independente.

II-Fundamentos
1-Concessão nula de equivalências.
Na Universidade Independente quem concedeu equivalências a José Sócrates de Carvalho Pinto de Sousa não detinha poderes para tal, face à Lei e aos Estatutos e Regulamentos em vigor. Vejamos porquê:      
a) O requerimento de pedido de equivalências feito por José Sócrates de Carvalho Pinto de Sousa foi dirigido ao Reitor, que era Ernesto Jorge Fernandes Costa. O Vice-reitor e substituto era Eurico José dos Santos Calado, e o director da Faculdade de Tecnologias era Fernando Carvalho Rodrigues.
Mas é Luís Frederico Arouca Marques dos Santos (doravante designado Luís Arouca) que lhe responde e despacha o processo. Não tinha poderes para tal. Conferir artigo 7º,n.º2,alínea f dos Estatutos Provisórios da UnI-Universidade Independente, que se juntam (Doc.1).A quem competia conceder equivalências era ao Conselho Científico.   
 
b)O processo de equivalências foi preenchido manualmente por uma funcionária da secretaria e não está assinado. Não intervém qualquer Conselho ou órgão competente para a concessão de equivalências. (ver folhas 10 a 12 do Processo 95385 do aluno José Sócrates de Carvalho Pinto de Sousa que se junta cópia como Doc.2. Todos os documentos originais aqui referidos foram juntos pelo aqui participante ao NUIPC 25/07.5TELSB DCIAP).       
c) É inventada uma comissão científica da faculdade de Tecnologias. Órgão inexistente na Universidade.(ver folhas 7 do Doc.2 acima mencionado). 
d) Nenhum dos órgãos com competências para a concessão de equivalências interveio, designadamente Conselho Científico e Conselho Pedagógico.        
e)Não existe nenhum elemento essencial para a concessão da equivalência.           
A documentação é abundante e clara.
Acresce que, Fernando Carvalho Rodrigues (director da Faculdade de Tecnologias da Universidade Independente desde 1995,onde se enquadrava a licenciatura em Engenharia Civil) prestou depoimento ajuramentado em tribunal, no processo- crime 140/06 a ser julgado na 1ª Vara Criminal de Lisboa (vulgo processo Universidade Independente) a 21-12-2011. Afirmou que não sabia nada sobre as equivalências de José Sócrates. O processo de equivalências não lhe passou pelas mãos – e devia ter passado. Nunca viu as pautas de José  Sócrates. Não soube nada, não viu nada. Em resumo não teve conhecimento de qualquer facto ligado à passagem de José Sócrates na Universidade. Mas, devia ter tido. Aliás, a regra é que era ele que superintendia as equivalências.Também Eurico Calado, o então vice-reitor e professor de Inglês Técnico tem sido peremptório. Não viu e não sabe.
Na Universidade Independente o processo de equivalências passou-se sem o conhecimento do Reitor Ernesto Costa, do vice-Reitor Eurico Calado, de Director da Faculdade Carvalho Rodrigues, do Presidente do Conselho Científico Oliveira Pinto e do Director da Administração Escolar.
 
Foi um processo clandestino dentro da própria universidade. 
Bruno Silva foi o responsável pela administração escolar da universidade desde 1995, o departamento encarregue do expediente académico como equivalências. Disse, debaixo de juramento no processo supra mencionado, em 12-12-2011 desconhecer qualquer procedimento relativo ao aluno José Sócrates, nunca viu equivalências ou pautas. Afirmou mesmo que dentro da Universidade nunca teve conhecimento da existência de José Sócrates como aluno.  
Facilmente, se vê que o acto de concessão de equivalências é ilegal por não ter sido efectuado pelo órgão com competência para o fazer e que lhe faltam elementos essenciais. 
2-Avaliação de Inglês Técnico.
a)O único aparente elemento de avaliação de Inglês Técnico é um envelope manuscrito escrito por José Sócrates de Carvalho Pinto de Sousa dirigido a Luís Arouca acompanhado de um cartão e do texto que parece constituir esse elemento de avaliação da cadeira de Inglês Técnico. Na altura em que este conjunto (envelope, cartão e texto) foi enviado José Sócrates era Secretário de Estado Adjunto do ministro do Ambiente (1995-1997). O texto de Inglês está corrigido por Luís Arouca em 26-8-1996 que confere a nota de 15 valores. Nada disto obedece e se enquadra nas orientações genéricas determinadas pelo Regulamento Geral de Avaliação em vigor à época, designadamente artigos 1.º,n.º3º e 5.º (ver Doc.1,folhas 9). 
b)Não existe enunciado ou qualquer elemento que permita entender o que era pedido ao aluno.  
c)A avaliação nunca foi feita nas instalações da Universidade Independente. 
d)O professor que avaliou não era o docente da cadeira. O docente era o Professor Eurico Calado. 
e)A pauta de Inglês Técnico não está assinada. (ver Doc.2,folhas 18)f)E é totalmente diferente das outras. O papel usado referia-se a antigas instalações da Universidade, sitas na Rua Fernando Palha e não na Marechal Gomes da Costa onde a Universidade já funcionava (idem). 
g)A pauta, além de não estar assinada, não tem data (idem). 
h)O elemento de avaliação mencionado em a) foi discutido à mesa do restaurante Papa-Açorda entre Luís Arouca e José Sócrates. O que não aconteceu a mais nenhum aluno, violando os princípios básicos e constitucionais do Direito administrativo da igualdade e da imparcialidade (art.º 266.º,n.º2 da CRP), além de derrogar o previsto no artigo 7.º do Regulamento supra-mencionado (ver Doc.1,folhas 10). 
i)A metodologia utilizada não estava de acordo com a utilizada com os restantes alunos.j)Não existe registo de frequência de quaisquer aulas.Também os documentos originais foram entregues pelo participante no processo NUIPC 25/07.5TELSB DCIAPAcresce que, Eurico Calado era o Professor da cadeira. Nunca avaliou os alunos desta forma, nem em restaurantes, nem com trabalhos enviados por Fax com 3 páginas, segundo já afirmou várias vezes, em público e em tribunal.A documentação também é clara.
A avaliação de Inglês Técnico está inquinada do vício de violação da lei, gerador de nulidade, por falta de elementos essenciais subjacentes à prática da avaliação e preterição dos princípios fundamentais de direto administrativo da igualdade e imparcialidade.

3-Não conclusão de Projecto e Dissertação
A cadeira de Projecto e Dissertação é a disciplina final de um curso de Engenharia Civil.(ver Doc.3)    
a)Não há conhecimento de qualquer Projecto realizado por José Sócrates. Nunca esteve na Biblioteca da Universidade, como era hábito (o participante verificou tal pessoalmente), nem se encontra em lado algum. 
 b)Não existe qualquer comprovativo nem registo de qualquer trabalho.    
c) E o seu Professor António Morais afirmou em juízo em 28 de Março de 2012 que o aluno não o tinha feito, embrenhando-se em explicações pouco clarificadoras.
Tudo indica que José Sócrates não cumpriu os requisitos para obter uma licenciatura ao não realizar o projecto de engenharia. Condição obrigatória para a concessão do grau, nos termos da Portaria.A avaliação de Projecto está inquinada do vício de violação da lei, gerador de nulidade, por falta de elementos essenciais subjacentes à prática da avaliação. 

Conclusão:
O processo da licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente de José Sócrates de Carvalho Pinto de Sousa está ferido de três nulidades irratificáveis, irreformáveis e inconvertíveis, nos termos conjuntos dos artigos 133º,n.º1 e 2º,b) do Código do Procedimento Administrativo (CPA) e 134º e 137º do mesmo normativo legal pelo que deve ser declarada a nulidade do grau académico de licenciado em Engenharia Civil pela Universidade Independente.Tais nulidades são invocáveis a todo o tempo (134º,n.º2 CPA) por qualquer interessado e podem ser declaradas a todo o tempo, não havendo aqui prescrições ou decursos de prazo impeditivos do conhecimento da matéria.É, também, certo que o Ministério Público como defensor da legalidade democrática (art.º 219 da CRP e art.º 3º do EMP) tem o compromisso constitucional e legal de acção perante ilegalidades, especialmente nulidades, de actos administrativos.
O participante

Junta: Os três documentos mencionados. 
Prova do participado e para eventuais efeitos do art.º 90º do CPTA: 
Testemunhas: 
Ernesto Jorge Fernandes Costa (Reitor da Universidade Independente na época 1995-1996) 
Eurico José dos Santos Calado (Vice-reitor da Universidade Independente na época- 1995-1996) 
Fernando Carvalho Rodrigues (Director da Faculdade de Tecnologias da Universidade Independente na época- 1995-1996) 
António Balbino Caldeira (professor do Ensino Superior e investigador do tema) 
Frederico Oliveira Pinto (Presidente do Conselho Científico) 
O participante. 

Documentação: 
-Gravação de depoimento sujeito a juramento de António José Morais no julgamento do Processo-crime 140/06 a decorrer na 1ª Vara criminal de Lisboa prestado a 28 de Março de 2012.Solicita-se a requisição digital ao processo respectivo; 
-Gravação de depoimento sujeito a juramento de Fernando Carvalho Rodrigues no julgamento do Processo-crime 140/06 a decorrer na 1ª Vara criminal de Lisboa prestado a 21-12-2011.  Solicita-se a requisição do suporte digital ao processo respectivo.
-Gravação de depoimento sujeito a juramento de Bruno Silva no julgamento do Processo-crime 140/06 a decorrer na 1ª Vara criminal de Lisboa prestado a  12-12-2011.Solicita-se a requisição do suporte digital ao processo respectivo. 
-Originais da licenciatura que foram entregues pelo participante ao cuidado do processo NUIPC 25/97.5 TE LSB DCIAP. Solicita-se a requisição ao processo respectivo.»


* Imagem picada daqui.



Limitação de responsabilidade (disclaimer): José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas e demais entidades referidas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas ou arguidas de cometimento de qualquer ilegalidade ou ilegalidade nos casos referidos.

Domingo, 28 de Abril de 2013

Uma história de pasmar: TVI suspende Ana Leal


Foi lançada uma Petição pela Liberdade Efectiva de Imprensa na TVI (veja o texto no final deste poste e, se concordar, assine).

A jornalista Ana Leal foi suspensa pela TVI, proibida de entrar nas instalações da estação televisiva e objeto de um processo disciplinar interno, em 26-4-2013, segundo o Público, de 27-4-2013. A TVI já tinha aberto um processo de inquérito interno relativo ao esclarecimento dirigido pela jornalista ao Conselho de Redação do canal por causa de ter sido retirada do alinhamento «do Jornal das 8 no sábado de 26 de Janeiro», pela diretora adjunta de Informação Judite Sousa, uma peça sobre «o facto de o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), então dirigido por Cândida Almeida, ter avocado um processo sobre a polémica parceria público-privada do SIRESP 
[Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal, um «sistema de comunicações custou ao Estado mais de 500 milhões de euros, tendo a sua adjudicação a uma empresa do grupo SLN/BPN, dado origem a um inquérito que acabaria arquivado em Março de 2008], mas depois ter optado por não reabrir o caso».

A nau catrineta do poder político-mediático produziu mais outra história de pasmar. Não só se retirou a peça jornalista do alinhamento do principal jornal televisivo da TVI, o Jornal das 8, como se processou e suspendeu a jornalista que solicitou cordatamente um esclarecimento sobre essa decisão da diretora-adjunta de informação do canal, Judite de Sousa!... Porém, quem deve uma explicação - não interna, mas ao público e às instituições do Estado e do setor! - é a direção de informação da TVI. Em Portugal, a Prisa foi um dos instrumentos de extensão do poder socratino e, agora, virou a casaca para uma atitude bloco-centralista de protção dos anteriores e dos atuais. A administração da Prisa em Portugal não devia validar a perseguição da jornalista, não só porque tal é contrário à liberdade de informação que a Constituição Portiuguesa afirma, como também prejudicial à valorização e credibilidade da TVI.

Avalie o leitor, o facto contado pela própria jornalista Ana Leal ao Conselho de Redação e depois divulgado pelos colegas jornalistas da estação e da imprensa (para que se corrigisse qualquer rumor desinformativo acerca do pedido de esclarecimento da jornalista), e a que tive acesso. É o seguinte o texto integral do pedido de esclarecimento sobre o caso dirigido pela jornalista Ana Leal ao diretor de Informação da TVI José Alberto Carvalho, datado de 7 de fevereiro de 2013:


«Caros colegas,

Enviei hoje ao Director de Informação da TVI uma nota solicitando esclarecimentos acerca de situações ocorridas com a emissão de reportagens minhas. Partilho essa exposição com o Conselho de Redacção, de modo a que, de forma aberta, franca, transparente, profissional e construtiva, se obtenha a clarificação indispensável quanto ao sucedido, para bem da imagem e prestígio da TVI e dos seus profissionais.
Meu caro José Alberto, 
Há situações que, do meu ponto de vista, podem revestir-se de repercussões negativas para a imagem e credibilidade do jornalismo da TVI, bem como para o prestígio dos seus profissionais. Assim, na sequência da conversa que oportunamente tivémos, tomo a iniciativa de formalizar, por escrito, a exposição acerca de casos ocorridos recentemente, de modo a que se torne possível, de forma construtiva, esclarecer o que se passou.
No sábado passado, dia 26 de Janeiro, houve uma reportagem minha que acabou por não sair no Jornal das 8, sem ter sido dada qualquer explicação por parte da Diretora Adjunta e editora do jornal de fim de semana, Judite de Sousa.
A reportagem em questão, sobre o SIRESP, não só enquadrava uma outra reportagem do jornalista Carlos Enes, como tinha notícia! Passo então a explicar: A notícia do Carlos Enes era sobre " Rede de Comunicações SIRESP, usada pelo Inem, polícias e bombeiros, falhou durante o temporal do último fim de semana. O socorro ás populações vítimas do mau tempo, mas também de doentes urgentes, foi afetado".
Como todos muito bem sabem, em 2008, fiz uma investigação sobre o SIRESP, que resultou em duas grandes reportagens no espaço de 1 mês, trazendo ao processo, arquivado pelo DCIAP, testemunhas e documentos novos. Na altura, fizémos inclusivamente abertura no então Jornal Nacional, da intenção de Cândida Almeida, diretora do DCIAP, em reabrir o processo, na sequência da investigação da TVI.
Feito este enquadramento, é fácil perceber a importância de complementar a notícia do Carlos Enes com a minha peça que, não só enquadrava o negócio do SIRESP, como também, acrescentava informação nova. O Carlos Enes, estruturou de resto a sua reportagem, contando com uma segunda peça e por isso não explica sequer o negócio do SIRESP, o que está em causa e o que aconteceu do ponto de vista criminal. Era suposto ser eu a fazê-lo!
E assim fiz! O pivot, escrito por mim, no alinhamento do Jornal de Sábado, foi este: " O negócio do SIRESP, custou milhões ao Estado! Mais concretamente, 485 milhões de euros, mas podia ter custado 80 milhões. Foi o que a TVI apurou numa investigação efetuada em 2008. Na altura, a jornalista Ana Leal, descobriu documentos que não constavam no processo e ouviu testemunhas nunca ouvidas pelo DCIAP, coordenado por Cândida Almeida, que entretanto tinha arquivado o polémico dossier. Foi o caso do primeiro estudo sobre o SIRESP que mostrava que este negócio podia ter custado 6 vezes menos ao Estado.
5 anos depois, a TVI sabe que nenhuma destas testemunhas foi ouvida. O processo estava na gaveta e pelos vistos,na gaveta continuou".
Tanto Judite de Sousa, como Maria joão Figueiredo, sabiam da existência destas duas peças, até porque inicialmente eram para entrar no Jornal de sexta feira, dia 25. Nessa tarde, desloquei-me à sala de reuniões onde se encontrava a Maria João e a Judite, pedindo para abrirem duas linhas no alinhamento para as respectivas peças. Judite de Sousa informou-me que "não entrariam naquele dia, porque tinha um jornal que sairia mais cedo, mas que seguramente seriam emitidas no sábado, já que tinha 2h de jornal! ". Insisti nessa certeza, porque era importante avisar pessoas que entrariam na peça e que nos merecem respeito, nomeadamente o Presidente do Instituto de Telecomunicações de Portugal e o autor do primeiro estudo sobre o Siresp, o Prof Almiro de Oliveira. Saí da sala de reuniões com essa certeza: as peças sairiam no dia seguinte, ou seja, no jornal das 8 de Sábado.
A minha peça foi montada na sexta feira. Enviei mensagem a Maria João Figueiredo dando conta do nome do clip, e sítio onde poderiam encontrar a peça.
O Carlos Enes, por seu lado, deslocou-se propositadamente no sábado à redacção, para poder montar a sua peça. E assim foi.
Durante todo o dia, ningúem me avisou que peça não iria entrar.
É em casa que sou confrontada, quando estou a ver o jornal, que a peça não tinha sido emitida! Envio então um SMS a Judite de Sousa, perguntando-lhe " porque é que a peça não tinha saído?".
Até hoje, não me foi dada qualquer explicação!
Escusado será dizer, que também não consegui assim justificar o que aconteceu, quando fui confrontada com perguntas de intervenientes da reportagem. O que posso dizer é que não é bom para nenhum jornalista e muito menos para a TVI ficar como suspeita no ar a falta de independência jornalística da linha editorial da estação. Foi isso mesmo que foi insinuado em chamadas que recebi de pessoas que legitimamente estavam à espera de ver uma determinada peça no ar e que sem lhes ter sido dada qualquer justificação, podem interpretar como muito bem entenderem. 
2- Esta situação assume, no meu entender, especial gravidade, já que por vontade de Judite de Sousa, uma outra peça minha de especial relevo, também não teria sido emitida!
No dia 21 de Dezembro de 2012, tinha montada uma peça, notícia TVI, sobre um " Novo buraco na Segurança Social, superior a mil milhões de euros, o equivalenete a um subsídio dos funcionários públicos que este ano não irão receber. O Governo sabia de tudo desde Janeiro, ou seja, há um ano. O Secretário de Estado-Marco António Costa, reconheceu à TVI, a gravidade da situação."
Ora, como se pode constatar pelo pivot, a reportagem em questão, inclui uma entrevista do Secretário de Estado que perante as provas da TVI, não só não desmentiu, como admitiu a gravidade da situação.
Nessa sexta feira, ao fim da tarde, quando já me ía embora, fui ter com Judite de Sousa, perguntando-lhe se estava tudo bem com a peça e se tinha alguma dúvida. Respondeu com: " sim, tenho dúvidas! Ligou-me um assessor a dizer que a história dos mil milhões não era bem assim! " Eu, estupefacta, porque pelos vistos a palavra de um assessor valia mais do que a da jornalista, respondi: " De facto, não são mil milhões, é mais! São mil e trinta e um! Mas se quiseres tenho a prova em documento e posso mostrar-te!! Qual é agora a tua dúvida?"
Judite de Sousa disse então que não poria a peça sem autorização do diretor de Informação.
Quando percebi que a peça não iria entrar, até porque não estavas na TVI e já estávamos quase em cima do jornal, enviei-te uma mensagem explicando o que se passava, ou seja, dizendo mesmo que Judite de Sousa não iria pôr a peça no ar.
Ainda por telefone, garantiste-me que estava tudo resolvido.
A peça acabou por sair, pelos vistos, por decisão tua, enquanto diretor.
Não vou sequer comentar em que parte do jornal entrou a reportagem, ( na segunda parte) num dia em que toda a primeira parte do jornal, para além do Renato Seabra, é sobre a crise, e coincidentemente sobre o facto do "défice da Administração Central e da Segurança Social ter ultrapassado em Novembro os 8 mil e 600 milhões de euros". Bom, quando se tem a notícia que se tem, num dia em que se fala precisamente da Segurança Social, no mínimo dá que pensar " que raio de alinhamento é este ?!!!". Mas, admito, não sou editora, e eles lá saberão transformar o que é aparente "non sense", em algo que é benéfico para as audiências!
Tendo sempre regido a minha vida profissional, e já lá vão 25 anos, por um jornalismo independente, de rigor e de verdade, não posso nem devo, deixar passar estas situações, como se não tivessem acontecido.
E não nos podemos esquecer que tenho ainda pessoas a quem devo uma explicação sobre a notícia que não passou, de forma a podermos dissipar qualquer suspeita que ponha em causa a independência da TVI.
Solicito assim, enquanto Director que tentes perceber as razões para o sucedido e obtenhas os esclarecimentos que até agora não me foram prestados sobre os motivos que deteminaram a que a minha peça sobre o SIRESP, não chegasse a ser emitida.
Tomo a liberdade de enviar também esta nota ao Conselho de Redacção, a que presides. Mais uma vez, reafirmo que o objectivo desta minha iniciativa se resume ao desejo de que, em nenhuma circunstância, a Informação da TVI seja beliscada e enfraquecida publicamente por algum comportamento ou circunstância pouco compreensíveis ou justificáveis. Nesse sentido, a transparência das decisões editoriais e a capacidade de as transmitir à Redacção de forma clara afiguram-se-me essenciais para uma saudável e profícua relação entre responsáveis e jornalistas.»

Seria a peça em causa insultuosa ou caluniosa? Ou apenas o exercício legítimo e indispensável de informação sobre uma decisão da coordenadora do DCIAP, que os cidadãos têm o direito de conhecer e até de opinar? E, se assim, foi, por que se censurou o trabalho jornalístico de indiscutível interesse?

Ana Leal é uma das mais destacadas jornalistas portuguesas, uma profissional notabilíssima, docente de jornalismo também do ensino superior, de inquestionável rigor ético e deontológico. Como jornalista tem assinado, com coragem e escrúpulo, peças de enorme valor informativo, nos casos Casa Pia, Freeport, e outros casos de corrupção de Estado. Tem corrido riscos que outros evitam pisar e sofrido a perseguição severa do sistema, em vez de beneficiar, como outros num setor bastante sujeito à promiscuidade com o poder, de outra remuneração, de outro conforto e de outra tranquilidade. Nada, todavia, do dinheiro, comodidade e proteção, valem a consciência do serviço da verdade e do povo. E é por isso que Ana Leal merece o reconhecimento dos portugueses, pelo seu trabalho e humanidade - e é também por essa razão que o poder a persegue.

Porém, o infortúnio da ingratidão costumeira da Pátria - de que já o Padre António Vieira se queixava - não se pode alargar ao processo disciplinar e suspensão de uma jornalista pelo facto de fazer bem o seu trabalho e o defender. Pelo contrário, tem de ser o público, deve ser o povo, a exigir uma explicação para este procedimento intolerável contra a liberdade de informação e de opinião.

Parece, visto de fora da estação televisiva e pelo buraco do sistema, que a TVI está em processo de transição para outro qualquer poder de turno (a espanhola Prisa está descapitalizada e tem à venda a estação) e que a atual direção de infromação, vinda da governamentalizada RTP para governamentalizar este canal privado, quer afirmar a sua força num contexto em que teme ser substituída. E deve ser substituída. Porque processos disciplinares e suspensões de colegas respeitadíssimos afeta a credibilidade informativa de um canal televisivo e destrói o efeito que os novos donos pretenderão...

O texto da Petição pela Liberdade Efetiva de Imprensa na TVI é o seguinte:
«Exmo. Senhor Presidente da República
Exmos. Senhores Deputados da Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias
Exma. Senhora Procuradora-Geral da República
Exmo. Senhor Presidente da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista
Exmo. Senhor Provedor de Justiça
Exmos. Senhores Administradores da Prisa, grupo proprietário da TVI

A Liberdade de Imprensa é um bem demasiado precioso. Os cidadãos signatários, nos termos da Constituição da República Portuguesa, exigem que o Estado garanta o direito de todos a serem informados, por mais conluios de interesses partidários, empresariais, ou até de promoção pessoal de vedetas televisivas.
Confrontados com a suspensão, pela TVI, da jornalista Ana Leal, os cidadãos exigem as seguintes respostas das entidades com obrigações legais de fiscalizar o livre exercício daquele direito, bem como da Administração do Grupo Prisa, que está obrigada a respeitar a Constituição da República e as leis democráticas de um estado soberano como Portugal, que restaurou a sua independência em 1640:

- Porque é que a directora adjunta, Judite Sousa, retirou do alinhamento do Jornal das 8 da TVI, de 26 de Janeiro, uma reportagem sobre a decisão da procuradora-Geral adjunta Cândida Almeida de não investigar, como devia, no interesse de todos os cidadãos e contribuintes, os fortes indícios de má utilização dos dinheiros públicos na adjudicação a uma empresa do grupo BPN, do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP)?

- Abriu o Ministério Público inquérito para apurar como é possível que uma PPP que custou, pelo menos, à cabeça 500 milhões de euros, falhe num episódio de mau tempo, deixando INEM, bombeiros e polícias, sem comunicações?

- Porque considerou a directora adjunta mais importante, nesse jornal, no seu único canal acessível a todos os portugueses, nomeadamente os de mais fracos recursos, que não têm dinheiro para pagar TV por cabo, relatar antes a limpeza da mata de Sintra, concelho presidido por Fernando Seara, marido da própria directora ajunta, e mais uma dúzia de outros faits-divers?

- O que faz o Parlamento para garantir que as empresas privadas, nomeadamente com a concessão de licenças de televisão, cumpram a Lei 64/2007, que define o Estatuto do Jornalista, e promete a estes profissionais que não serão perseguidos disciplinarmente por agir como agiu a jornalista Ana Leal?

- O que faz a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista para garantir que a comunicação social não informe ou deixe de informar em função dos interesses particulares de ninguém? É verdade que a TVI dedica, no seu jornal principal, uma atenção especial às actividades da Câmara Municipal de Sintra, com um número de reportagens superior a qualquer outro órgão de comunicação social de expansão nacional? É verdade que a directora adjunta chumbou a cobertura, por parte da TVI, de uma candidatura independente naquele concelho?
 
- O que fazem Parlamento, Ministério Público e Comissão da Carteira para garantir a liberdade dos conselhos de redacção, organismo constitucionalmente previsto, que deu razão à jornalista Ana Leal?
- Que fiscalização exercem estas entidades sobre a licença de televisão concedida ao Grupo Prisa e a sua adequação à CRP e às leis de Portugal?
Atenciosamente,
Os signatários»

Se concordar, assine aqui. Não se trata de solidarizar com os direitos dos outros, trata-se de defender os direitos próprios de informação, liberdade e democracia.


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